domingo, 15 de dezembro de 2013

O Ouvido Humano


O ouvido humano inicia-se com a orelha, cheia de protuberâncias e dobras,
algumas de cartilagem macia, outras bem rígidas, umas perfeitamente simétricas outras
de "abano", alvo de piadas e algumas chacotas de estudantes de arte e medicina. Elas se
prestam como principal tarefa a de amplificar o som. Nos proporciona prazer quando
são cariciadas nas mais variadas formas e nos animais podem ser utilizadas para
demonstrações de poder, ameaça, para irradiar calor corporal e em alguns casos matar
moscas.



As orelhas também vibram, ressoam amplificando tenuemente uma banda
de freqüência, equivalente a uma oitava superior. São muito importantes para a captura
da fala. A partir das orelhas temos o canal do ouvido, o tímpano, os ossículos e a cóclea
formando o ouvido médio. Até os tímpanos consideramos o ouvido externo, depois
vem o ouvido médio que é formado pelos ossículos: martelo, bigorna e estribo. Este é
considerado o "lar" das dores de ouvido, das infecções e das sensações de tonturas e
confusões de orientação. Podemos perceber tais efeitos quando estamos mudando
rapidamente de altitude.

Os ossículos do ouvido médio impulsionam as médias frequências da
música. Frequências estas contidas na fala. Desta forma a evolução proporcionou à fala
prioridade sobre o espectro sonoro. O ouvido médio também foi concebido, segundo
alguns pesquisadores, para manter a música fora da cabeça da pessoa assim como
alguns sons indesejáveis. Segundo eles, dois minúsculos músculos agarram os ossículos,
um exercendo uma força em direção ao tímpano, outro em direção ao ouvido interno.
Estes músculos permanecem suavemente contraídos a fim de manter os ossículos no
lugar, mas atuam com mais força num reflexo, quando na presença de som
"perigosamente" alto, impedindo que cerca de dois terços da energia sonora alcance o
precioso e delicado ouvido interno. Este reflexo inicia-se um centésimo de segundo
após o início do som, podendo demorar até metade de um segundo para alcançar sua
máxima reação. Este fato nos alerta quanto aos sons impulsivos, como tiros e explosões,
aos quais não temos a capacidade de nos proteger. Nas legislações ambientais de ruído,
há uma correção de níveis quanto à suportabilidade humana em relação a esse aspecto.

Além deste ponto fica o ouvido interno, que é cheio de fluido (líquido) e
contém uma complexa estrutura. É chamado de o verdadeiro ouvido. No ouvido interno
os sons transformam-se em impulsos nervosos, transformando as ondas mecânicas em
ondas elétricas - impulsos elétricos, motivo de inspiração para a concepção do
microfone que tanto pensamos que conhecemos. Neste ouvido o som que até agora foi
processado será sentido. Fazendo uma analogia com a ótica - até aqui os sons passaram
por uma lente, agora chegarão à retina. No ouvido, as relações físicas são mecânicas, o
som se materializa a partir de colisões mecânicas de moléculas entre si. Para proteger
todo o sistema, a nossa natureza, danada de boa, estabeleceu certos parâmetros de
relacionamento que acabou por encerrar o ouvido médio e o ouvido interno no osso
mais duro do corpo, o osso pétreo temporal.

Possuímos dois majestosos salões de concerto sinfônico para o nosso
sistema nervoso que são os nosso ouvidos internos. Neles a música contagia uma
ansiosa platéia de milhares de neurônios. São formados por três câmaras estreitas com
aproximadamente 4 cm de comprimento, estão enroscados três vezes e meia e são
reconhecidos como cóclea que significa caracol. Sobre o piso desta câmara encontram se
fileiras sucessivas de neurônios fixados numa excepcional estrutura chamada: órgão
de Corti, dispostos a aplaudir ou vaiar o concerto. O órgão de Corti é formado por
neurônios especiais chamados de células capilares. Formam conjuntos com uma célula
capilar interna e três células capilares externas. Cada agrupamento possui mais ou
menos sensibilidade para uma determinada freqüência sonora. Os tons agudos são
percebidos com mais sensibilidade na entrada da cóclea, os tons graves no final da
espira. O órgão de Corti não tem mais do que uma fração de 1/250 polegada. Somente
14 mil células receptoras geram as 32 mil fibras nervosas que deixam a cóclea e seguem
em direção ao cérebro. Comparando com uma retina do globo ocular, esta nos apresenta
100 milhões de células receptoras e um nervo ótico para transmitir as informações
dessas células para um milhão de fibras. Só para efeito de comparação, apenas algumas
centenas de receptores da dor podem fazer uma pessoa retorcer-se de agonia.



Efeitos Nocivos do Ruído

Qual o nível sonoro em que o som torna-se prejudicial à saúde?
Sempre que possível, a fim de nos protegermos, devemos evitar a exposição
num nível de pressão sonora acima de 100dB(A). Deve-se usar protetor auditivo quando
expostos a níveis acima de 85dB(A), especialmente se a exposição for prolongada. Os
danos à audição devido à exposição permanente em ambientes ruidosos são cumulativos
e irreversíveis. Exposição a altos níveis de ruído é uma das maiores causas da surdez
permanente. Alguns aspectos de segurança quando da varredura por ultra-som estão
sendo objeto de investigação.

Efeitos fisiológicos e psicológicos sobre o homem:

A poluição sonora hoje é tratada como uma contaminação atmosférica
através da energia (energia mecânica ou acústica). Tem reflexos em todo o organismo e
não apenas no aparelho auditivo. Ruídos intensos e permanentes podem causar vários
distúrbios, alterando significativamente o humor e a capacidade de concentração nas
ações humanas. Provoca interferências no metabolismo de todo o organismo com riscos
de distúrbios cardiovasculares, inclusive tornando a perda auditiva irreversível quando
induzida pelo ruído.

Alguns destes efeitos podem ser enumerados da seguinte forma:

Efeitos Psicológicos:
- Perda da concentração
- Perda dos reflexos
- Irritação permanente
- Insegurança quanto a eficiência dos atos
- Embaraço nas conversações
- Perda da inteligibilidade das palavras
- Impotência sexual

Efeitos Fisiológicos:
- Perda auditiva até a surdez permanente
- Dores de cabeça
- Fadiga
- Loucura
- Distúrbios cardiovasculares
- Distúrbios hormonais
- Gastrite
- Disfunções digestivas
- Alergias
- Aumento da freqüência cardíaca
- Contração dos vasos sanguíneos

Deve ser observado que proteger a saúde da população é o principal objetivo
de todos os esforços públicos para controlar a exposição ao ruído do indivíduo ou da
comunidade. A interferência do ruído com o repouso, descanso e sono é a maior causa
de incômodo. E devemos notar que a pior intervenção se dá na forma de ruído
intermitente, como por exemplo: passagem de veículos pesados e passagens de aviões
próximo às habitações.

O ruído pode dificultar o adormecer e causar sérios danos ao longo do
período de sono profundo proporcionando o inesperado despertar. Níveis de ruído
associados aos simples eventos podem criar distúrbios momentâneos dos padrões
naturais do sono, por causar mudanças dos estágios leve e profundo do mesmo. A
pessoa pode sentir-se tensa e nervosa devido as horas não dormidas. O problema está
relacionado com a descarga de hormônios, provocando o aumento da pressão sanguínea,
vasoconstrição, aumento da produção de adrenalina e perda de orientação espacial
momentânea. Despertar de um sono depende do estágio do sono, dos horários noturnos
e matinais, idade do indivíduo entre outros fatores.

Uma outra característica humana é a proteção natural aos eventos sonoros.
Esta se dá quando o ser humano é previamente avisado que tal ruído ou sons elevados
vão acontecer. Existe uma defesa psicológica que prepara o indivíduo para a exposição,
o efeito contrário se dá exatamente quando é inesperado, é o caso do ruído se apresentar
quando o indivíduo encontra-se desatento e/ou dormindo, comumente é considerado
como som intrusivo. É extremamente desagradável pois, ele é pego de surpresa e não
há tempo de armar sua defesa natural. Por isso deve-se preservar o direito de descanso
das pessoas quando estas dormem a fim de protegê-las dos efeitos que talvez poderão
ser considerados mais delicados.

Na figura a seguir, podemos acompanhar as ondas sonoras que, ao serem
penetradas através do ouvido, se distribuem através dos lóbulos cerebrais até serem
conduzidas ao sistema nervoso central. Neste, seguem ao longo da medula e se
distribuírem para os órgãos humanos. Ao chegarem aos órgãos manifestam-se os efeitos
nocivos sob várias formas, das descargas hormonais à perda da audição entre outros,
principalmente quando a intensidade é elevada.



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